Nós o odiamos... não conseguimos lembrar dele sem uma pontinha de ressentimento. Parece impossível olhá-lo de outra forma. Tem gente que a cada páscoa elege as piores almofadas e roupas, projetam réplicas daquela figura e surram o pobre boneco no meio da rua. Sim, nós o odiamos.
Mas não nos culpe! Afinal, ele foi capaz de condenar à morte o próprio Deus encarnado. Foi capaz de trair o melhor dos homens em troca de 20 moedas (de prata!) e assim interromper um ministério que em 3 anos mudou a humanidade para sempre.
Se você se reconheceu no parágrafo acima, aperte minha mão. Eu também leio, esboço um sorriso leve e posso ir dormir com a consciência tranqüila sabendo que a justiça está sendo feita. De fato, me preocupo com a justiça. Me preocupo com a justiça mais do que Deus. Não se escandalize ainda, eu explico:
Nesta semana eu pequei. Algumas vezes. Umas eu sabia o que estava fazendo e ignorei a voz sensível que dizia “ não faça! ” outras vezes só fui perceber no que tinha me envolvido depois. Não importa, pequei. Não matei, roubei ou idolatrei ninguém, mas foi errado. Traí a promessa que um dia fiz a Deus entregando-lhe a minha vida, dando-lhe total controle por ela.
Ops, que palavra está ali? Sim, isso mesmo: trair, “Deixar deliberadamente de cumprir; faltar ao cumprimento” segundo o dicionário. Meu Deus, eu te traí, igualzinho à Judas! É claro que eu tento limpar meu nome dando diferentes pesos para cada pecado, mas convenhamos que para um Deus santo, qualquer mancha há de ser considerada.
Veja minha situação: há quilômetros e quilômetros de distância entre eu e Deus por tudo o que eu já fiz. Nada mais justo, concordo... se bem que agora a justiça já não me parece tão boa assim.
E é aí que entra o amor de Deus, representado pela mais bela das palavras: “graça”. A graça é amor, é misericórdia. A graça é a limitação do poder de Deus em prol dos seus filhos, que como eu andam por caminhos tortuosos. A graça tem uma pitada de injustiça, é verdade: por que raios o mal não é devidamente punido?! Talvez para me lembrar que eu, o pior dos pecadores, não posso apontar o dedo para ninguém e clamar por justiça divina. A graça é um escândalo, eu concordo. Mas é o escândalo que me salvou e me resgata quase que diariamente para os braços do Pai. A graça é irônica, e por assim dizer [perdão pelo trocadilho]até engraçada.
Obrigado, Deus, pela graça!
sábado, 3 de outubro de 2009
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Parabéns pela reflexão,Diogo.
ResponderExcluirSomos todos dependentes desta graça humanamente injusta.
Forte abraço!
você tem mesmo talento! e expressou mt bem a nossa real condição.
ResponderExcluirbjoss